Ópera Papa es mort estreia em Ponte de Lima para encerrar celebrações dos 900 anos do Foral | Peneda Gerês TV
- Jorge da Costa

- 27 de fev.
- 3 min de leitura
27 de fevereiro, 2026.
O Teatro Diogo Bernardes, em Ponte de Lima, foi palco da apresentação da ópera Papa es mort, uma criação original que homenageia a memória do poeta António Feijó. O espetáculo, que sobe ao palco nos dias 4 e 7 de março, marca o encerramento oficial das comemorações dos 900 anos da entrega do Foral pela Rainha D. Teresa, consolidando a estratégia de descentralização cultural do município.
A vila de Ponte de Lima prepara-se para receber um dos momentos mais ambiciosos do seu calendário cultural recente. A conferência de imprensa realizada hoje, 27 de fevereiro, revelou os detalhes da ópera Papa es mort, um projeto que funde a música contemporânea de Fernando Lapa com o libreto e encenação de António Durães. Segundo Miguel Franco, diretor artístico do Teatro Diogo Bernardes, este projeto resulta de um equilíbrio ambicioso que pretende elevar a figura de António Feijó, o poeta que morreu de amor, a uma linguagem universal.

Miguel Franco sublinhou que programar um teatro com quase 130 anos de história exige um equilíbrio constante entre memória e vanguarda e que esta obra não surge por acaso, tratando-se de "(...) uma encomenda estratégica do município de Ponte de Lima, desenhada especificamente para fechar as comemorações dos 900 anos da entrega do Foral". O responsável destacou ainda que a recepção de uma ópera que nasce na vila, sobre um vulto local, reafirma a missão do espaço como um centro de produção e irradiação cultural para a região e para o país.
A narrativa da ópera Papa es mort encontra o seu ponto de partida na correspondência dramática da vida do poeta. António Durães, responsável pelo libreto, explicou que o título deriva da carta com que o filho de Feijó anunciou a morte do pai a Luís de Magalhães. O encenador referiu que, ao ler as cartas do período final da vida do diplomata, percebeu que aquele era um período muito negro e doloroso, pelo que a equipa decidiu desviar um pouco a rota e olhar para tudo o que a sua própria vida contém, celebrando os episódios de que existe memória.
O compositor Fernando Lapa, que assina a partitura de cerca de 500 páginas, descreveu o processo como um desafio deslumbrante. O músico confessou que, embora conhecesse os grandes escritores portugueses do século XIX, pouco sabia sobre Feijó antes deste convite, tendo ficado fascinado com a descoberta de um escritor de primeiro plano, explicando que o espetáculo deve ser capaz de transmitir essa atitude e trazer para outro meio uma figura que, de alguma forma, é menos conhecida, reforçando que a obra terá doze cenas que contrastam momentos de vivacidade com a melancolia profunda do luto.
Do ponto de vista institucional, o Vice-Presidente da Câmara Municipal de Ponte de Lima, Paulo Sousa, afirmou que este é um momento histórico do ponto de vista artístico e cultural no concelho. O autarca defendeu que o investimento na cultura é um investimento público feito de forma assertiva na promoção do território e que esta ópera Papa es mort ajudará a projetar o nome de Ponte de Lima a nível nacional e internacional.
O espetáculo contará com a participação de 15 elementos em palco, incluindo três solistas e dez instrumentistas, integrando ainda uma intérprete de Língua Gestual Portuguesa na própria encenação, garantindo a inclusividade total da obra.
As récitas de estreia estão agendadas para o próximo dia 4 de março, data simbólica do Foral, e dia 7 de março. Após a apresentação em Ponte de Lima, a produção seguirá para outros palcos nacionais, tendo já confirmada a presença na Casa das Artes de Vila Nova de Famalicão no dia 11 de abril.




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