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Estudo de Mercado defende duplicação da área do porto comercial de Viana do Castelo

O Presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo, Luís Nobre, reuniu esta sexta-feira com o Conselho Empresarial Estratégico de Viana do Castelo (CEEVC) para apresentação aos empresários do “Estudo de Mercado para o desenvolvimento do Porto de Viana do Castelo”, documento que defende a duplicação da área do porto comercial vianense.




homens sentados em reunião de trabalho

O autarca Luís Nobre destacou o facto de diversos stakeholders terem sido convidados a participar neste estudo que pretende “impactar” o presente e o futuro do porto marítimo. “O envolvimento dos agentes locais, de uma forma diversificada, em todas as atividades do território, desde a pesca até à academia e investigação, é essencial”, declarou, esperando que o porto marítimo “seja o espaço de amarração de todas estas realidades”.


“A economia azul e as energias renováveis trazem-nos possibilidades infinitas e, por isso, este estudo permitiu-nos também pensar e consolidar estas oportunidades”, referiu. “O porto marítimo tem de ser colocado ao serviço das mais diversas atividades, das que cá estão e das que podem surgir”, reforçou.


O Presidente do conselho de administração da APDL – Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo, João Neves, considerou que o estudo “traz informações para que o Porto saiba em que sentido deve avançar”, considerando que “é um ponto de partida” para o futuro da infraestrutura. “Precisamos de ter mais área. É o que diz o estudo e acreditamos que se o porto se reorientar, pode crescer”, defendeu, afirmando que podem instalar-se indústrias variadas dentro do porto vianense.


De acordo com as conclusões e recomendações do estudo apresentado pelo especialista Miguel Marques, da Skipper & Wool, “o perfil futuro do porto marítimo de Viana do Castelo pode passar pela melhoria do seu porto comercial e pelo reforço da polivalência, em torno de todas as oportunidades geradas pela descarbonização e pela sustentabilidade social, económica e ambiental, sendo um espaço ainda mais privilegiado para o desenvolvimento das energias renováveis offshore e onshore, o desenvolvimento da construção, fabrico, reparação e reconversão de embarcações e equipamentos navais necessários à descarbonização e inclusivo e dinamizador da pesca e aquacultura sustentáveis, bem como promotor do turismo azul e dos desportos náuticos”.

homem de fato e gravata com um computador na frente, fazendo uma apresentação
O consultor Miguel Marques, da Skipper & Wool, apresentou as conclusões do estudo

“No perfil futuro do porto comercial do porto marítimo de Viana do Castelo podem ser incluídas atividades de apoio à logística associada às indústrias emergentes das energias renováveis offshore (aplicável também às indústrias consolidadas de energia renovável onshore), eventualmente ponderar a possibilidade de ser também um ‘marshalling harbour’ deste setor, pode apetrechar-se com as valências necessárias para o ‘green shipping’, pode aproveitar todo o seu potencial ro-ro/ro-pax e pode vir a reforçar a articulação que já tem com o porto de Leixões e com infraestruturas rodoferroviárias, de polo logístico e de entreposto aduaneiro, de apoio ao desenvolvimento económico da região que venham a existir”, lê-se no estudo.


Assim, “caso o porto de Viana do Castelo pretenda aproveitar as oportunidades de crescimento do porto comercial, no mínimo, para que seja possível desenvolver as condições atuais da operação e adicionar condições para a instalação de um marsheling port, atividade que necessita de caraterísticas distintas associadas a carga de projeto”, é necessário: expandir a área total, de forma a conseguir aumentar a área disponível para armazenagem a descoberto para aproximadamente o dobro, passando dos atuais 5,5 hectares de área disponível para armazenagem a descoberto para cerca de 11 hectares de terrapleno junto ao cais; aumentar o comprimento em linha reta do cais de atraque dos atuais 250 metros para cerca de 500 metros; garantir uma profundidade mínima de 12 metros ao longo de todo o canal e junto aos cais, o que significa, pelo menos, mais 4 metros de profundidade para além dos atuais 8 metros.


Segundo o documento, “o fator crítico de sucesso para o aproveitamento destas oportunidades por parte do porto de Viana do Castelo é a necessidade de garantir amplo espaço de terrapleno e de cais, que permita a flexibilidade de uso do porto comercial pela carga geral e de projeto relativo à expansão das energias renováveis offshore e consequente logística de equipamentos que exigem amplo espaço de manobra no terrapleno e no cais e pela carga ro-ro que necessita de uma rampa adequada que possibilite também, pela via da rampa, o acesso de traileres e contentores a navios de maior dimensão, os quais implicam necessidade de aumento da profundidade do porto comercial”.


“Neste contexto, torna-se fundamental compatibilizar o calendário de concretização dos melhoramentos da infraestrutura com o ritmo de desenvolvimento industrial de Viana do Castelo e, em particular, das energias renováveis, sob pena de a oportunidade não ser aproveitada”, é ainda referido. “Assim, torna-se pertinente e urgente atualizar o plano de ordenamento e expansão do porto de Viana do Castelo, por forma a dotá-lo de uma maior dimensão, para poder aproveitar as oportunidades, bem como melhorar os seus índices de operação, revertendo todos os pontos que limitam o seu desenvolvimento”, lê-se no documento.


Utilizando uma linguagem de operação portuária, o adicionar de valências extra a este porto polivalente significa um ‘upgrade’ à sua polivalência, podendo designar-se de um Porto Polivalente +.


O estudo resultou de um protocolo celebrado entre a Câmara Municipal e a APDL - Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana, SA. e pretendeu estabelecer um perfil adequado para a potenciação do uso do Porto Marítimo de Viana do Castelo, nomeadamente no que respeita à movimentação de carga pelo tecido empresarial da região.




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