Relatório Socioeconómico do Eixo Atlântico alerta para a Urgência na Segurança Alimentar | Peneda Gerês TV
- Jorge da Costa

- há 3 horas
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15 de janeiro, 2026.
A Biblioteca Municipal de Viana do Castelo foi o cenário escolhido para a apresentação pública do Relatório Socioeconómico do Eixo Atlântico 2024. Este documento estratégico coloca a autonomia do Noroeste Peninsular e o abastecimento alimentar no topo da agenda política europeia, num momento em que a estabilidade geopolítica e os efeitos da pandemia exigem uma nova abordagem à soberania territorial.
O Novo Paradigma da Soberania Alimentar
A fragilidade das cadeias de abastecimento globais tornou-se evidente após o período da Covid-19 e as incertezas geradas pelos conflitos armados atuais. O relatório, da autoria de Fernando González Laxe e Arlindo Cunha, sublinha que a segurança alimentar não é um dado adquirido. Arlindo Cunha destaca que cerca de 80% do que consumimos é hoje vendido em grandes superfícies comerciais, o que provocou o colapso das estruturas de comercialização local de pequena escala. Este cenário obriga a uma revisão da Política Agrícola Comum para proteger os produtores e garantir o acesso físico e económico a alimentos nutritivos.

Assimetria Ibérica e a Dependência de Cereais
O documento revela um défice crónico de Portugal no setor agroalimentar, com uma dependência externa preocupante em produtos como o trigo, onde a taxa de autoaprovisionamento é de apenas 5%. Enquanto a Espanha se afirma como uma potência exportadora da União Europeia, Portugal mantém-se refém da importação de matérias-primas. O Relatório Socioeconómico do Eixo Atlântico aponta que, para contrariar esta tendência, é necessário um esforço coordenado que envolva o apoio direto aos agricultores e campanhas de informação sobre nutrição e consumo de proximidade.
O Papel das Autarquias e a Corresponsabilidade
Os municípios surgem como peças fundamentais nesta estratégia de resiliência. Miguel Fernández, Presidente do Eixo Atlântico, afirma que o objetivo do relatório é fornecer ferramentas rigorosas para que os municípios possam planear as suas estratégias nos próximos anos. Xoán Mao, Secretário-geral da entidade, refere a importância de um trio de sucesso entre a logística do Eixo, o conhecimento dos peritos e as decisões políticas dos autarcas. A ideia de corresponsabilidade é também central, incentivando os cidadãos a apoiar a produção local e a adotar práticas sustentáveis no quotidiano.
Marketing Territorial e o Futuro em Viana do Castelo
O sucesso de modelos como o de Lugo, que utilizou o marketing para promover a gastronomia e os produtos locais, serve de exemplo para outras cidades da euro-região. Em Viana do Castelo, o compromisso com o Eixo Atlântico será reforçado com a criação do Centro Interpretativo do Eixo Atlântico. Luís Nobre, Presidente da Câmara Municipal, confirmou que o projeto está em fase de finalização e que a autarquia já detém a posse administrativa do edifício para avançar com a obra. Este centro será um marco físico e expressivo da história comum desta região transfronteiriça.












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