Estudantes da Universidade Politécnica de Viana do Castelo desafiados a reinventar louça de barro para a gastronomia do Alto Minho | Peneda Gerês TV
28 de outubro, 2026.
Estudantes da Universidade Politécnica de Viana do Castelo foram desafiados a conceber peças de louça em barro para servir pratos tradicionais dos dez municípios da região, no âmbito do projeto "Da Boca ao Barro", desenvolvido em parceria com a Comunidade Intermunicipal do Alto Minho.
O projeto cultural e académico intitulado "Da Boca ao Barro" desafia os alunos do curso de licenciatura em Design do Produto e de Gastronomia e Artes Culinárias da Universidade Politécnica de Viana do Castelo a reinterpretar a olaria tradicional através do design contemporâneo. A iniciativa visa cruzar a herança gastronómica do território com a criação de peças de louça de autor que aliem a identidade regional à funcionalidade no serviço à mesa.

A proposta pedagógica e criativa parte da análise de receitas emblemáticas dos dez municípios que compõem o Alto Minho. Entre as referências selecionadas para o estudo encontram-se pratos e especialidades como o Arroz de Sarrabulho à Moda da Clara Penha, de Ponte de Lima, o Cabrito Assado à Serra Amarela, de Ponte da Barca, o Cordeiro à Moda de Monção, a Torta de Viana, as Trutas do Rio Coura, de Paredes de Coura, os Borrachinhos de Valença, o Caldo de farinha, de Arcos de Valdevez, as Roscas de Lanhelas, de Caminha, o Bucho Doce, de Melgaço, e os Biscoitos de Milho, de Vila Nova de Cerveira.
O trabalho desenvolvido pelos estudantes do terceiro ano do curso de Design do Produto baseia-se na investigação destas referências culinárias com o apoio de fontes como a obra A Boa Mesa do Alto Minho, de Francisco Sampaio, e a colaboração do docente Carlos Fernandes. A partir desta pesquisa, os grupos de trabalho procuram conceber objetos de barro que respondam tanto às exigências estéticas quanto às características práticas dos alimentos a que se destinam.
A vertente interdisciplinar do projeto materializa-se também na articulação com a licenciatura em Gastronomia e Artes Culinárias, cujos alunos do segundo ano participaram numa sessão de apresentação para recolher contributos fundamentais. O encontro contou com a presença de Ermanno Aparo, Graciela Macedo e Alexandra Correia, docentes ligados às áreas de formação envolvidas.
Ermanno Aparo destacou o alcance da colaboração institucional entre a academia e o território regional. "Este projeto mostra como o design e a gastronomia podem trabalhar em conjunto, cruzando conhecimentos e perspetivas para responder a um desafio concreto", afirmou o docente, sublinhando que a iniciativa exige dos alunos capacidade de investigação e procura de soluções funcionais.
O desenvolvimento do projeto prossegue ao longo do ano letivo com aprofundamento das propostas e perspetiva de criação de protótipos viáveis. A CIM Alto Minho e a instituição de ensino pretendem assim valorizar a memória coletiva e o património cultural da região através da inovação académica.





Comentários