Estudo em forte da Guerra da Restauração revela ocupação desde a época romana | Peneda Gerês TV
- Jorge da Costa

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08- de fevereiro, 2026.
Um estudo arqueológico detalhado a um forte da Guerra da Restauração situado junto ao rio Minho demonstrou que o complexo defensivo de As Torres, na Galiza, possui uma história de ocupação contínua que remonta à Antiguidade. A investigação coordenada por Rebeca Blanco-Rotea, da Universidade do Minho, e Xurxo Salgado, da Universidade de Santiago de Compostela, confirmou que o sítio de Taborda funcionou como um sistema defensivo integrado e estratégico na fronteira entre Portugal e Espanha.
As escavações realizadas no local permitiram identificar uma mina de origem romana que foi posteriormente reutilizada para a implantação de uma atalaia ou torre durante a Baixa Idade Média. Esta continuidade cronológica é sustentada pela descoberta de cerâmicas medievais que foram reaproveitadas como material de construção nas estruturas que ainda se conservam. Além disso, foram recuperados vestígios metálicos que os investigadores consideram compatíveis com a reocupação militar ocorrida durante o século XVII, no contexto dos conflitos ibéricos.

A arqueóloga Rebeca Blanco-Rotea explica que a equipa partiu da hipótese de que existia uma estrutura militar associada às posições do exército castelhano em 1666, destinada a controlar a passagem para o Val do Rosal e para Tui. Segundo a investigadora do Lab2PT, as evidências atuais transformaram essa visão inicial, uma vez que se sabe agora "(...) que essa elevação serviu anteriormente para uma possível atalaia ou torre baixo-medieval, o que também se vincula com o próprio topónimo do lugar". Esta descoberta reforça a relevância deste forte da Guerra da Restauração como uma peça fundamental na cronologia defensiva da região minhota.
Os trabalhos agora revelados integram-se no projeto científico Fortalezas da Fronteira, que se dedica ao estudo dos sistemas defensivos da raia ao longo da história. Esta intervenção específica contou com o financiamento da Xunta de Galicia e envolveu a colaboração de várias entidades académicas e locais, incluindo o grupo Novos Medios e a Comunidade de Montes de Taborda. A equipa de arqueologia pretende agora prosseguir com a pesquisa documental para clarificar o papel exato que este complexo desempenhou na vigilância da fronteira durante os diferentes períodos históricos identificados.












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