Aluno da UMinho vence prémio internacional de robótica colaborativa | Peneda Gerês TV
- Jorge da Costa

- 28 de dez. de 2025
- 2 min de leitura
28 de dezembro, 2025.
João Gaspar Cunha, doutorando em Engenharia Eletrónica e de Computadores na Universidade do Minho, foi distinguido com o prestigiado “Best Innovation in HRI NeuroDesign Award”. O reconhecimento ocorreu na conferência internacional IEEE RO-MAN, nos Países Baixos, onde o investigador português se destacou entre finalistas de potências tecnológicas como os Estados Unidos, o Canadá, a Itália ou a Índia.
O galardão agora atribuído a João Gaspar Cunha vem premiar a inovação na interação humano-robô, um campo vital para o futuro da indústria e dos serviços. O percurso até à vitória não foi simples, uma vez que o projeto português enfrentou, na fase final da competição, outros 14 participantes de elevada competência técnica oriundos de diversos pontos do globo.

Para o jovem investigador, esta distinção representa um marco importante numa jornada académica exigente. João Gaspar Cunha sublinha que o doutoramento é um processo que requer bastante tempo e dedicação, mostrando-se muito satisfeito por um reconhecimento que, no seu entender, pertence também a toda a equipa do Laboratório de Robótica Móvel e Antropomórfica do Centro Algoritmi da UMinho.
A inspiração em Darwin para criar o "cérebro" do robô
O núcleo central da investigação laureada, intitulada “The neuroevolution of collaborative decision-making in robotic assistants”, reside na forma como o sistema processa a informação e toma decisões. Ao contrário dos métodos tradicionais, em que o robô é rigidamente programado, este projeto utiliza um algoritmo evolutivo inspirado na teoria de Charles Darwin. O objetivo é permitir que o sistema evolua as suas próprias arquiteturas internas, selecionando as soluções mais eficazes para cooperar com seres humanos.
O autor do estudo explica que, numa fase inicial, são geradas estruturas simples que vão sendo refinadas ao longo do processo evolutivo. Segundo João Gaspar Cunha, este método permite que emerjam comportamentos colaborativos e complementares de forma orgânica. O investigador detalha que, através desta abordagem, o robô passa a ter a capacidade de decidir quando deve agir, quando deve complementar a ação humana ou quando deve permanecer inativo, o que resulta numa colaboração muito mais natural em tarefas partilhadas.
O futuro da robótica neuroadaptativa
Esta investigação abre portas a uma nova geração de parceiros robóticos neuroadaptativos. Através da aplicação de princípios de neuroevolução e da teoria de campos dinâmicos neuronais, o projeto visa criar sistemas que não sejam apenas autónomos, mas também interpretáveis pelo utilizador humano. A meta final é que a fluidez da colaboração entre homem e máquina se assemelhe, tanto quanto possível, à interação entre dois seres humanos.
O projeto de João Gaspar Cunha conta com a supervisão dos professores Estela Bicho e Wolfram Erlhagen, da Escola de Engenharia da UMinho, e de Raymond Cujpers, da Universidade Tecnológica de Eindhoven. Natural de Braga e com 28 anos, o percurso de João Gaspar Cunha tem sido marcado por uma forte ligação ao ecossistema científico nacional e internacional. Além da sua investigação no laboratório MARLAB, em Guimarães, o doutorando já colaborou com o Laboratório Colaborativo de Transformação Digital e exerceu funções como docente convidado no ensino superior, consolidando uma carreira que agora ganha uma nova projeção mundial.












Comentários