Estudo da Universidade do Minho revela que a eletricidade em materiais quânticos é mais previsível | Peneda Gerês TV
- Jorge da Costa

- há 3 dias
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12 de abril, 2026.
José Manuel Carmelo, investigador da Escola de Ciências da Universidade do Minho, publicou recentemente um estudo na revista Reports on Progress in Physics que demonstra como a eletricidade em materiais quânticos se comporta de forma mais regular e previsível do que o previsto por teorias anteriores. A investigação, realizada no Centro de Física das Universidades do Minho e do Porto, clarifica o transporte de carga em sistemas de baixa dimensão, revelando que a movimentação destas partículas segue regras controladas, o que poderá impactar diretamente o desenvolvimento de tecnologias de eletrónica avançada e a criação de novos materiais semicondutores.
O trabalho teórico liderado pelo professor catedrático aposentado utiliza a analogia de uma multidão a sair de um recinto desportivo para explicar o fenómeno. Em vez de uma dispersão caótica e instantânea, as partículas avançam de forma faseada e organizada. Segundo José Manuel Carmelo, o foco da investigação incide sobre o transporte de carga a temperaturas finitas no chamado modelo de Hubbard em uma dimensão. Este modelo descreve materiais formados por cadeias moleculares pouco acopladas e sistemas de átomos superfrios produzidos de forma artificial em laboratório.

Até à publicação deste estudo, a comunidade científica internacional trabalhava com a hipótese de que a eletricidade em materiais quânticos poderia sofrer um fenómeno de superdifusão, espalhando-se de forma quase imediata. O investigador da Universidade do Minho esclarece que a constante de difusão caracteriza o transporte de carga e que, se esta for infinita, o transporte é considerado superdifusivo. O docente sublinha que, embora até aqui se considerasse que essa constante de difusão de carga era infinita, o seu trabalho demonstra que ela é, na verdade, finita.
A divergência entre as interpretações anteriores e esta nova descoberta reside numa propriedade específica do sistema que tinha sido negligenciada. O investigador aponta que as análises precedentes não tomaram em consideração uma simetria translacional U(1) do modelo associada à abertura de um hiato de energia que impede o transporte superdifusivo. Esta correção teórica, que contou também com contributos de Pedro Sacramento, do Instituto Superior Técnico, prova que o movimento é mais estável do que a ciência supunha até agora.
Embora o caráter deste trabalho seja fundamentalmente teórico, as implicações práticas são vastas. A descoberta fornece dados cruciais sobre o comportamento de átomos ultrafrios em temperaturas próximas do zero absoluto, permitindo um maior controlo sobre sistemas experimentais. Ao clarificar o debate internacional sobre a previsibilidade dos sistemas quânticos, a investigação da Escola de Ciências da UMinho estabelece as bases para compreender a eletricidade em materiais quânticos ao nível microscópico, um passo essencial para tornar a eletrónica do futuro mais eficiente e estável.




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